Projeto Português leva metodologia inovadora de integração de migrantes e refugiados para Itália
 

Depois de validado em Portugal, o projecto SPEAK vai fazer o seu primeiro teste internacional em Torino, Itália. O objectivo é validar a metodologia de intervenção social em território internacional. O SPEAK liga migrantes, refugiados e locais através de um intercâmbio de línguas e culturas que quebra barreiras e cria uma rede de suporte informal entre os participantes. Qualquer pessoa se pode inscrever para aprender ou ensinar.

“Infelizmente esta crise de migrações aumentou a necessidade de soluções como o SPEAK. Temos estado a trabalhar para conseguir crescer e tentar ajudar mais pessoas e, finalmente, temos condições para fazer um primeiro teste internacional. O objectivo é validar o modelo de intervenção e agilizar as operações para que, se tudo correr bem, possamos levar o SPEAK para cidades onde ele é mais preciso.”, afirma o responsável, Hugo Menino Aguiar que deixou a sua posição na Google para se dedicar ao crescimento do SPEAK.

O SPEAK envolve neste momento em Portugal mais de 4.500 participantes de 110 países diferentes que organizam eventos e ajudam-se entre si. Em 2016 já foram feitas mais de 1.100 inscrições para experiências de aprendizagem de 18 horas em 12 línguas diferentes. A equipa prevê terminar o ano com 2.000 inscrições o que representa um crescimento quase de 100% relativamente ao ano anterior.

O SPEAK tem-se destacado em Portugal como solução de integração de migrantes pela forma como quebra de estigmas, pela promoção da igualdade e a criação de redes de suporte informal entre os participantes. Recebeu o selo Europeu para as línguas atribuído pela Comissão Europeia e em 2015 venceu vários prémios, destacando-se como o melhor projeto social português em fase de crescimento no Social Innovation World Forum e uma das melhores 10 inovações sociais pela Fundação António Manuel da Mota.

Torino foi a cidade escolhida para o primeiro teste internacional. “Está no top 25 de cidades com maior população na Europa, precisa de soluções como a do SPEAK e tem as características que acreditamos serem necessárias para o projecto funcionar como fluxo migratórios e densidade populacional. Por outro lado, a Fondazione CRT, lá sedeada, valoriza o projecto e irá apoiar financeiramente este primeiro teste.” O Laboratório de Investimento Social e a Fundação Calouste Gulbenkian são as duas organizações Portuguesas que estão a ajudar a pensar o crescimento do SPEAK para cidades Europeias.

O modelo do SPEAK é simples, oferece duas experiências aos seus participantes: sessões de línguas e eventos de integração. Os eventos são gratuitos para todos e para os grupos de aprendizagem de língua são cobrados 25€ por 18 horas. Há duas regras de ouro: quem está a ensinar no SPEAK, ou enfrenta dificuldades financeiras (sejam refugiados ou locais) terá sempre acesso a todos os cursos que quiser, a custo zero e apenas com o click de um botão durante o processo de inscrição no website. “Ficamos felizes ao constatar que este ano cerca de 82% dos participantes decidiu pagar os 25€, o que é importante para a nossa sustentabilidade. Os voluntários (quem ensina), embaixadores e parceiros institucionais, são fundamentais, permitem cobrar um valor tão simbólico através da cedência de espaços para servir de sala de aula e da sua disponibilidade e paixão para ensinar e ajudar.”

As inscrições estão abertas em Portugal, em Torino deverão abrir em outubro. É possível fazer inscrição para aprender, ensinar ou as duas coisas. Toda a informação está disponível em www.speak.social.