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Uma história de 4250 caracteres acerca de uma aplicação de comunicação de 0 caracteres.  

O meu nome é Diogo Teles e sou o Product Lead da Faber Ventures, fundo de investimento que já investiu em empresas como a Unbabel, a Liquid, a Codacy e o Passworks.

Antes de mais, justifico porque escrevo este artigo em Português — tenho lido muitas noticias e publicações cá do nosso cantinho na ponta da Europa falando da aplicação YO! como sendo a mais inútil de todos os tempos. Resolvi então explicar porque é que na minha opinião esta aplicação tem um potencial incrível.

O YO! foi criado com o intuito de possibilitar a comunicação de uma forma simples entre peers, ou a chamada 0 characters communication — neste caso 3 characters communication. Aplicação simples e rápida de desenvolver, que acredito que não passaria de um quick hit para entretenimento dos seus fundadores. O que é facto é que a aplicação foi lançada a cerca de 19/05/2014 como se pode ver neste link do Product Hunt e logo nesse mês, com um PR , arrancou para o sucesso. Essas publicações surgem do levantamento de capital numa ronda que chegou ao milhão de dólares. Estranho, não é? Uma aplicação que manda push notifications on click levantar esse valor — OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS. Pois bem, servem os próximos parágrafos para explicar a minha visão do investimento e, especialmente, para tentar entender como foi o processo e quais as palavras ditas pelos fundadores para desbloquear esse valor de um BA experiente.

Antes de mais, a equipa contava com uma aplicação completa: com um protótipo funcional e com uma experiência/layout que enche o olho a qualquer um. Com isso e com algumas ideias de como a explorar quando ela escalar para um número de utilizadores com 7 casas decimais:

- Service Push Notifications: Imaginem que têm uma base de dados variada, utilizadores que usam os mais diversos serviços, desde o Facebook ao Github. Agora imaginem que esses users pode criar um centro de notificações centralizado, podendo receber apenas um YO! Sempre que um evento ocorre em qualquer um dos seus serviços. Exemplos: receber um YO! Sempre que alguém cria um novo issue no Github ou quando a alguém que muito estimam faz um post no Facebook (Isso tem um nome… Stalking).

- Event Push Notification: Esta talvez seja a minha futura feature favorita. Imaginem que todos os eventos que marcam as nossas vidas têm direito a um YO! (Exemplos: “O Autocarro esta a sair! YO!”, “O novo episódio de Game of Thrones está a começar! YO!” Ou “Golo no mundial! YO!”

- Brand GeoFenced Notifications: As marcas e privados também podem lucrar com o BOOM da aplicação, sendo que uma das features que penso que venham a implementar são os YO’s geo-referenciados (Exemplos: “Estás perto da loja da Zara! YO!” ou, estando dentro de um festival — “Porque não vens aqui beber uma cerveja! YO!”).

- Brand Communication: Acho remoto, mas também é possível que as próprias marcas possam vir a pagar para que se mude a palavra e o som a ouvir nos seus YO’s, levando a aplicação para o caminho da publicidade.

Ora portanto, o investidor confrontado com um roadmap cheio de possibilidades, entendeu que um investimento de um milhão numa aplicação com uma value proposition tão ridícula podia levar a muita conversa nos media, o que leva a muitos downloads. Juntando a estes todos aqueles que vêm da viralidade evidente da aplicação, pela sua simplicidade e, principalmente, porque de facto ela permite que eu chateie os meus amigos — porque não convidá-los. Ora, foi exactamente isso que aconteceu: milhões de utilizadores, muita informação, muitas possibilidades e um impacto gigante na imprensa. Isto tem de valer um milhão de dólares.

Para terminar — para os mais cépticos, é preciso dizer que algumas das funcionalidades acima referidas já são possíveis sendo que a equipa do YO! libertou a sua API ( com apenas um método ) e, por isso, com meia dúzia de linhas de código ou usando o IFTTT é possível receber um YO por tudo e mais alguma coisa.

YO!

Diogo Teles

https://medium.com/@diogocteles/yo-7924a14bc1cb